terça-feira, 24 de maio de 2011

C-ASA

e se eu procuro por minha casa

encontro no meio do caminho algo parecido

                                                                      la stessa casa

com formas diferentes
mas o mesmo conteúdo

                                                               house hus σπίτι domus



segunda-feira, 23 de maio de 2011

Preconceito no "primeiro" mundo


Quando ouço falar em preconceito contra estrangeiro logo me vem a cabeça a perseguição dos EUA contra os mexicanos, da Itália contra os romenos, e agora da Dinamarca contra quase todos os povos.
Existe, indiscutivelmente, o ponto de vista mais do que plausível de ambos os lados da moeda: o do invasor e o do invadido. Não queremos repartir o pão conquistado, ao mesmo tempo que sempre iremos procurar por uma vida melhor, mesmo que isso signifique usufruir da terra alheia. Mas vamos aos fatos.
Para residir na Dinamarca uma pessoa precisa se encaixar em pelo menos um requisito exigido pelo governo: trabalho, estudo, au pair, reagrupamento familiar, refúgio ou ter meios suficientes.
No caso de refúgio existe uma lei que garante a pessoa que aqui chega a residência e consecutivamente a cidadania, já que tal indivíduo não tem pretensões de retornar a seu país de origem. Contudo, a ex-primeira ministra dinamarquesa ignorou por anos tal lei, deixando a deriva milhares de pessoas. O novo ministro, no entanto, não parece se importar com o ocorrido e já intensificou a criação de leis que dificultam a entrada e permanência de estrangeiros no país.
Para aqueles que se casam com dinamarqueses e cuja nacionalidade não é européia, o indivíduo precisa no final de 3 meses fazer uma prova oral de língua e cultura dinamarquesa e pagar 3,000 dkk, o que equivale a 1.000 reais. No entanto, aprender o dinamarques não é tão simples quanto parece. É linguisticamente provado que tal língua é uma das mais difíceis para ser pronunciada devido a quantidade de fonemas existentes. Além disso, nem todas as letras de uma palava são pronunciadas, o que torna o seu uso uma tarefa ainda mais complicada.
Em artigo publicado semana passada no jornal “The Copenhagen Post” e baseado em estudos linguísticos de aprendizagem, notou-se que crianças croatas de 15 meses sabiam em torno de 150 palavras, enquanto as dinamarquesas apenas 85. E tal fato repercute ao longo de toda a vida adulta de um dinamarques, pois este apresenta grandes dificuldades quando tem que lidar efetivamente com a sua própria língua. O que dirá, então, o estrangeiro, que tem 3 meses pra aprender e colocar em prática seu (ou a falta de) conhecimento?
Outra estratégia do governo é fiscalizar aeroportos e fronteiras, exigindo também o passaporte daqueles que viajam dentro da Europa. Contudo, a mais nova forma de segregação acaba de ser anunciada. O ministro Søren Pind quer dar privilégios aos estrangeiros originários de países desenvolvidos como EUA, Austrália e Japão, enquanto aumenta a fiscalização sob os demais, impedindo de todas as maneiras a entrada e estadia desses.
Sem dúvida nenhuma esta é uma forma de discriminação. O indivíduo que se aventura a vir morar aqui não é “apenas” discriminado pela sua cor de pele e pelo seu nível educacional, mas agora também pelo seu país de origem! E depois eu achei que nós éramos o país de terceiro mundo e que precisávamos aprender com os desenvolvidos a lidar com questões humanas!!!!

http://www.cphpost.dk/news/making-the-cut/200-making-the-cut/51663-minister-all-immigrants-are-not-created-equal.html