sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Uma parte



Tem uma parte em mim que grita esbraveja rejeita
Tem uma parte em mim que espanta amaldiçoa pragueja
Tem uma parte em mim que canta dança brinca e compartilha
Tem uma parte em mim que se me
                                                                  fascina encanta alucina

E todas essas partes convivem dentro de mim

Tomam seu e meu tempo

se ajeitam

Às vezes EXPLODEM

Às vezes se acalmam e se aceitam

Se e me moldam de acordo e a todo o momento


quinta-feira, 28 de julho de 2011

Wanna

there are some days

that I don't wanna be

that I don't wanna stay

that I don't wanna decide

that I don't wanna stand up

that I JUST don't wanna want!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

e se

faltar luz

faltar vontade

faltar equilíbrio

faltar paz

que não nos

falt-
ar

terça-feira, 24 de maio de 2011

C-ASA

e se eu procuro por minha casa

encontro no meio do caminho algo parecido

                                                                      la stessa casa

com formas diferentes
mas o mesmo conteúdo

                                                               house hus σπίτι domus



segunda-feira, 23 de maio de 2011

Preconceito no "primeiro" mundo


Quando ouço falar em preconceito contra estrangeiro logo me vem a cabeça a perseguição dos EUA contra os mexicanos, da Itália contra os romenos, e agora da Dinamarca contra quase todos os povos.
Existe, indiscutivelmente, o ponto de vista mais do que plausível de ambos os lados da moeda: o do invasor e o do invadido. Não queremos repartir o pão conquistado, ao mesmo tempo que sempre iremos procurar por uma vida melhor, mesmo que isso signifique usufruir da terra alheia. Mas vamos aos fatos.
Para residir na Dinamarca uma pessoa precisa se encaixar em pelo menos um requisito exigido pelo governo: trabalho, estudo, au pair, reagrupamento familiar, refúgio ou ter meios suficientes.
No caso de refúgio existe uma lei que garante a pessoa que aqui chega a residência e consecutivamente a cidadania, já que tal indivíduo não tem pretensões de retornar a seu país de origem. Contudo, a ex-primeira ministra dinamarquesa ignorou por anos tal lei, deixando a deriva milhares de pessoas. O novo ministro, no entanto, não parece se importar com o ocorrido e já intensificou a criação de leis que dificultam a entrada e permanência de estrangeiros no país.
Para aqueles que se casam com dinamarqueses e cuja nacionalidade não é européia, o indivíduo precisa no final de 3 meses fazer uma prova oral de língua e cultura dinamarquesa e pagar 3,000 dkk, o que equivale a 1.000 reais. No entanto, aprender o dinamarques não é tão simples quanto parece. É linguisticamente provado que tal língua é uma das mais difíceis para ser pronunciada devido a quantidade de fonemas existentes. Além disso, nem todas as letras de uma palava são pronunciadas, o que torna o seu uso uma tarefa ainda mais complicada.
Em artigo publicado semana passada no jornal “The Copenhagen Post” e baseado em estudos linguísticos de aprendizagem, notou-se que crianças croatas de 15 meses sabiam em torno de 150 palavras, enquanto as dinamarquesas apenas 85. E tal fato repercute ao longo de toda a vida adulta de um dinamarques, pois este apresenta grandes dificuldades quando tem que lidar efetivamente com a sua própria língua. O que dirá, então, o estrangeiro, que tem 3 meses pra aprender e colocar em prática seu (ou a falta de) conhecimento?
Outra estratégia do governo é fiscalizar aeroportos e fronteiras, exigindo também o passaporte daqueles que viajam dentro da Europa. Contudo, a mais nova forma de segregação acaba de ser anunciada. O ministro Søren Pind quer dar privilégios aos estrangeiros originários de países desenvolvidos como EUA, Austrália e Japão, enquanto aumenta a fiscalização sob os demais, impedindo de todas as maneiras a entrada e estadia desses.
Sem dúvida nenhuma esta é uma forma de discriminação. O indivíduo que se aventura a vir morar aqui não é “apenas” discriminado pela sua cor de pele e pelo seu nível educacional, mas agora também pelo seu país de origem! E depois eu achei que nós éramos o país de terceiro mundo e que precisávamos aprender com os desenvolvidos a lidar com questões humanas!!!!

http://www.cphpost.dk/news/making-the-cut/200-making-the-cut/51663-minister-all-immigrants-are-not-created-equal.html

segunda-feira, 28 de março de 2011

Religião, economia e desenvolvimento social

Há algunas semanas, assistindo a TV aqui na Dinamarca, me chamou a atenção a palestra de um professor, acho que da Universidade de Aahrus, sobre religião. Baseando-se em uma pesquisa, ele afirmava ser os EUA um país altamente religioso, enquanto a Dinamarca ficava praticamente em um dos últimos lugares. Utilizando o exemplo desses dois países, ele explicou a relação existente entre religião, economia e desenvolvimento social.
Nos EUA a igrejas (vou usar aqui a palavra “igreja” para me referir a todo o tipo de entidade religiosa) não recebem ajuda financeira do governo. Assim como no Brasil, são as contribuições dos “fiéis” que as mantém. Por isso, tais entidades precisam fazer com que o maior número de indivíduos passe a frequentá-las e ajudá-las financeiramente. Nas igrejas estadunidenses é comum haver “festinhas” repletas de donuts e coca-cola depois de algumas cerimonias. Enquanto isso na Dinamarca a igreja é uma entidade mantida pelo estado, e há até um Ministro da religião. Não importa quantas pessoas a frequentem, o salário do padre, por exemplo, será sempre o mesmo. Por isso não há aqui uma busca frenética por seguidores.
Em um país em que a desigualdade social é visível e preocupante, em que a todo o momento o cidadão é forçado a ser o melhor, a se superar e se destacar perante os outros, a religião acaba ocupando um espaço maior na vida de cada um. É nesse espaço que as pessoas vão se reconfortar , procurar equilíbrio, conselhos, e a possibilidade de se socializar, de fazer parte de um grupo. Na Dinamarca, no entanto, as crianças são ensinadas desde de pequenas e principalmente nas escolas a trabalhar em grupo, a viver em comunidade. Além disso, não há uma diferença tão exorbitante entre ricos e pobres, uma vez que os salários são, na medida do possível, equiparados.
Mas se engana aquele que pensa que a Dinamarca é um país de sonhos enquanto os EUA é o inferno na terra. Ambos têm seus prós e contras.
A Dinamarca, apesar de oferecer salários muito bons, é um dos países do mundo em que mais se paga imposto: 50% de tudo o pagamos aqui, desde transporte até alimentação, tem o imposto embutido. O sistema de saúde e educacional é de graça porque 50% do nosso salário é deduzido todo o mês pelo SKAT, que é um órgão do governo responsável pelo recolhimento desse percentual, para manter a “vida de primeiro mundo” que temos aqui.
Viver ensina que cada lugar tem sua beleza e sua tristeza, e que é fácil ver o lado negativo quando o vivenciamos dia-a-dia.

28/03/2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Os fenômenos "Harry Potter" e "O Crepúsculo": literatura, livro de autoajuda ou nenhuma das alternativas anteriores?

É fato que tantos os livros quanto os filmes envolvendo as aventuras de Harry Potter e de Bella Swan e seus amados Eduard e Jacob se tornaram sucesso de venda e bilheteria pelo mundo afora, fazendo com que não apenas suas escritoras, mas também os atores envolvidos, ficassem famosos e ricos.
Não vou negar que assisti a todos os filmes e no presente momento estou lendo os últimos livros de cada coleção: "Harry Potter e as Reliquias da Morte" e "Amanhecer". Me envolvi com Harry há alguns anos quando, de férias e não tendo nada pra fazer, resolvi dar uma espiada na biblioteca da cidade para ver o que havia de novo. Lá encontrei os primeiros livros da coleção e desde então não consegui mais parar de ler. Acompanhar o crescimento físico e psicológico do personagem é estimulante principalmente quando também estamos trilhando o mesmo caminho de dúvidas, anseios, decepções e vitórias.
Bella foi apresentada a mim quando uma conhecida vinda da Europa trouxe consigo o livro e, ao terminar de lê-lo, me deu. Até aquele momento não sabia do que se tratava, mas não pensei duas vezes em comecar a leitura. Sabendo desse acontecimento, algumas amigas me deram de presente os dois livros seguintes e consecutivamente fui obrigada a tambem ler o último romance.
Diante desse histórico, me considero uma leitora ativa e participante e que pode, baseada na sua experiência, apresentar seu ponto de vista sobre as duas obras. Não considero nenhuma das duas estórias literatura genuina, passível de ser comparada às obras "Drácula" de Bram Stoker ou "Frankenstein" de Mary Shelley, que são clássicos principalmente pela maneira com que os enredos são narrrados. Em um nivel muito inferior a "Senhor dos Anéis" ou "As Crônicas de Narnia" (isso pra levar em consideração livros que também se tornaram filmes e fizeram muito sucesso), "Harry Potter" e "O Crepúsculo" estão mais para literatura de autoajuda do que qualquer outra coisa - e explico o porquê. No primeiro temos a estória de um menino cujos pais foram mortos quando ele ainda era um bebê. Orfão, ele é levado a morar com a família da tia, que nunca negou sua antipatia pelo garoto. Como nada é facil na vida de Harry (muito parecido com a realidade de todos nós), ele vive um constante pesadelo ao ter que conviver com a ausência sentimental da tia, a grosseria do tio e a estupidez do primo. Contudo, como num passe de mágica (no sentido literal da palavra), ao completar 11 anos, Harry descobre um outro mundo. Nessa outra realidade ele é um personagem especial e conhecido por todos, faz grandes amizades, conquista uma outra familia, e encontra o seu grande amor. Além disso, ele se torna o herói da estória, aquele que por várias vezes arriscou sua vida em benefício de todos.
No segundo livro temos a saga da monótona e sem-graça Bella Swan. Ela mesma se descreve como uma pessoa que nunca chamou a atenção dos outros por sua beleza, nunca se destacou na escola, e não apresenta habilidades artísticas ou esportivas. Ela se muda para uma cidadezinha dos EUA onde, por milagre, conquista a única pessoa que parecia ser inatingível e inacessível até o presente momento para qualquer mortal: o jovem, belo, inteligente e rico Edward Cullen. O primeiro livro da escritora Stephanie Miyer cansa os olhos e a alma tamanha a quantidade de adjetivos e superlativos para descrever os personagens.
Pois bem, não bastasse o sonho que Bella vive de se apaixonar e ser correspondida pela pessoa mais perfeita do colégio e da cidade (como qualquer outra adolescente neste mundo), ela descobre uma realidade pararela a sua, onde vampiros e lobisomens existem. E o sonho não pára por aqui: ambos o vampiro Edward e o lobisomem Jacob se apaixonam e passam a disputar capítulo por capítulo a atenção e o amor da antes invisível Bella.
Que adolescente e até mesmo adulto não adoraria ser Harry Potter ou Bella Swan? Ser importante, respeitado, amado? Ter amigos que o seguem e o apoiam mesmo nos momentos mais difícieis da sua vida? Encontrar um grande amor e com ele descobrir que há mais magia neste mundo do que sonhávamos?
Ao lermos e assistirmos "Harry Potter" e "O Crepúsculo" automaticamente encarnamos os seus personagens principais, suas aflições, suas dúvidas, mas acima de tudo, suas virtudes e conquistas. Nos tornamos também especiais, poderosos e diferentes ao menos por alguns capítulos a cada nova leitura. E, ao fechar o livro, ansiamos por um dia, quem sabe, também viver uma grande aventura, em que o personagem principal é, nada mais, nada menos, que cada um de nós.

Dinamarca, 22/03/2011